Vitória do Estoril em jogo impróprio para cardíacos
Foi um autêntico jogo de loucos aquele que teve lugar na tarde de hoje no Estádio António Coimbra da Mota entre Estoril Praia e Benfica, a contar para a fase regular da Liga Revelação. Os três pontos permaneceram em casa, mas a reviravolta só aconteceu no período de descontos e o resultado final estabeleceu-se em 4-3.
Os canarinhos vinham de um resultado difícil de digerir na deslocação ao terreno do Mafra onde deixaram fugir uma vantagem de dois golos nos últimos momentos do jogo, saindo da região do Oeste com apenas um empate.
O Benfica era o adversário seguinte e os comandados de Vítor Couto entraram em campo com o foco na vitória. Exemplo da frase anterior foi o primeiro lance do jogo em que Ruben Silva-Richards abriu muito bem na direita para a entrada do lateral direito Pedro Andrade que flectiu para o centro do terreno e desferiu um primeiro remate para defesa atenta do guarda-redes Arnas Voitinovicius.
À entrada mais ativa e assertiva do Estoril Praia, seguiu-se um estudo mútuo, sem haver grandes oportunidades e com muitas quezílias no meio-campo. Até que, aos 29 minutos, o italiano Silva-Richards, uma das figuras do encontro, deu um pontapé na monotonia e rematou em arco de fora da área para mais uma defesa segura do guardião encarnado.
No minuto seguinte, num lance caricato, o centro de André Gonçalves acertou nas costas de João Conceição e deixou a bola à mercê de Herrera que prontamente centrou para o coração da área onde o oportunismo de Richards fez a diferença para o primeiro golo da partida.
O Estoril estava na frente do marcador e, logo três minutos volvidos, poderia ter aumentado a vantagem por intermédio de André Gonçalves que levou o esférico em progressão até à entrada da grande área, tendo rematado em arco para fora, mas criando calafrios à defensiva benfiquista.
Já aos 40’, Olívio Tomé deixou um aviso sobre o que seria a entrada na segunda metade por parte dos visitantes, pois ganhou em velocidade pela esquerda do ataque e frente a frente com o estreante Vitorovic, permitiu uma atenta defesa do guardião sérvio.
Momentos depois, Roberto Oliveira, árbitro da partida, apitou para o intervalo.
No acreditar está o ganho
Olívio Tomé já tinha dado o mote e a verdade é que o Benfica entrou para a segunda parte com outra atitude e em lance na área, Guilherme Magalhães vê Roberto Oliveira descortinar uma falta que originou grande penalidade. Na cobrança do castigo máximo, Vitorovic negou o golo a Gonçalo Moreira no primeiro remate, mas já não conseguiu deter a recarga do médio ofensivo que conseguia assim restabelecer a igualdade.
Na jogada seguinte, o Benfica deu a volta ao marcador novamente por Gonçalo Moreira que recebeu o passe de Mustmaa na marca de grande penalidade e não deu hipótese de defesa ao sérvio com um remate colocado.
Silva-Richards não quis ficar atrás e ao bis de Moreira respondeu com um golaço de fora da área restabelecendo a igualdade, após mais uma recuperação de bola em terrenos avançados por parte de Juan Herrera.
O jogo já estava bom de se ver, mas os primeiros minutos da segunda parte, certamente, colaram os espetadores ao desenrolar dos acontecimentos dentro das quatro linhas.
Três minutos depois do golo canarinho, Olívio Tomé, mais uma vez em velocidade, apareceu com espaço pela esquerda e rematou com perigo à malha lateral. Já aos 57’, Tiago Brito teve oportunidade de colocar a equipa da linha em vantagem mais uma vez, mas cabeceou à figura de Arnas.
Após a entrada fulgurante de ambas as formações, a partida entrou num ritmo um pouco mais calmo com algum equilíbrio a meio-campo e, só aos 70’, Silva-Richards tentou o hat-trick com um remate de fora da área que acabou por sair ao lado.
O espalha-brasas benfiquista, Olívio Tomé, não deu descanso à defensiva canarinha e, aos 79’, mais uma vez em grande velocidade, encontrou o recém-entrado Gustavo Ferreira com um cruzamento com peso e medida para o avançado colocar as águias à frente do marcador pela segunda vez.
Vendo-se numa posição indesejada, o campeão em título puxou dos galões, colocou em campo os avançados disponíveis, promovendo, inclusivamente, mais uma estreia com a entrada do júnior Rafael Saldanha e, quando se pensava que o destino do encontro estava traçado, o mágico fez jus ao nome e conseguiu a reviravolta final através de dois lances de bola parada.
O empate chegou por intermédio do espanhol Ismael Sierra que se superiorizou nas alturas aos defesas do Benfica e cabeceou para dentro da baliza de Arnas, respondendo a um centro perfeito de Jorge Monteiro que tinha acabado de sair do banco de suplentes.
Já nos últimos momentos do encontro, depois de Herrera desperdiçar novo lance de perigo, o mesmo Jorge Monteiro foi protagonista com mais uma assistência, desta feita através de um livre batido no lado direito do ataque, cujo esférico seguiu teleguiado para os pés de Sana Ufala que rematou sem hipóteses para o fundo das redes, levando um bem composto Estádio António Coimbra da Mota ao delírio e colocando os canarinhos em vantagem por 4-3.
Breves instantes depois Roberto Oliveira apitava para o término de um encontro emocionante que certamente ficará para a história desta edição da Liga Revelação.
O próximo jogo dos jovens canarinhos será nos Açores, frente ao Santa Clara, no início do próximo mês.


