Ponto na Pedreira premeia carácter e ambição
O Estoril Praia deslocou-se ao Estádio Municipal de Braga, esta noite, para defrontar o SC Braga, trazendo um ponto do Minho, com um resultado fixado numa igualdade a duas bolas e uma exibição repleta de carácter.
Os primeiros quinze minutos foram dominados pela formação caseira com dinâmicas muito interessantes entre El Ouazzani e Bruma, com o ponta de lança marroquino a ameaçar duplamente aos quatro minutos. Primeiro, assistido pelo extremo português, teve dificuldade em superar a oposição de Pedro Álvaro e quando o conseguiu, já não teve ângulo para desfeitear Joel Robles que fez a mancha e tapou a baliza. Num segundo momento, na sequência de um canto, Moutinho driblou Jandro com classe e colocou a bola na cabeça do ponta de lança bracarense que, posicionado no coração da área, não conseguiu encontrar as redes por muito pouco.
Estava dado o mote para o que viria a acontecer à passagem do primeiro quarto de hora: o golo do Braga. E foi numa jogada de belo efeito construída por Ricardo Horta, Roger e Bruma que o internacional português cabeceou sem hipótese para o guarda-redes espanhol, assistido, na perfeição, pelo jovem irrequieto Roger.
Sem baixar os braços, o Estoril Praia começou a crescer no jogo, até antes de sofrer o golo já vinha a ter posses de bola prolongadas e esse facto foi-se acentuando durante o decorrer dos minutos seguintes, sublinhado com lances perigosos fruto das arrancadas sucessivas de Fabricio e dos passes teleguiados de Holsgrove.
O próprio médio escocês começou a afinar as assistências com um canto do lado esquerdo do ataque canarinho, fazendo com que o esférico caísse exatamente no raio de ação do central Boma que subiu à àrea contrária para dar trabalho a Matheus com uma defesa atenta ao cabeceamento do togolês.
Aos 30 minutos, o mesmo Holsgrove abriu o livro e isolou Fabricio que conseguiu ultrapassar o guarda-redes bracarense, mas, já com pouco ângulo, não foi capaz de enviar o esférico para uma baliza deserta, acertando nas malhas laterais. Azar para o extremo cabo-verdiano e para a equipa da linha que vinha demonstrando personalidade na “Pedreira”.
O Braga percebeu o perigo e voltou ao jogo num lance que criou muitos calafrios para a linha defensiva canarinha. Na sequência de um canto curto, João Moutinho, com regra e esquadro, centrou para o segundo poste onde apareceu El Ouazzani a cabecear à trave.
O Estoril estava a controlar as incidências da partida através da elevada percentagem de posse de bola. Contudo, a realidade é que os guerreiros do Minho tiveram maior número de oportunidades flagrantes na primeira parte. Aos 40’, Roger, sempre muito ativo na direita do ataque, soltou-se à passagem do círculo de meio-campo e, com muito espaço para correr, arrancou em direção à baliza de Robles, chegou à entrada da área, fletiu para o meio e rematou com força para uma defesa seguríssima do espanhol.
Quatro minutos depois, foi Bruma quem ultrapassou Boma com uma mudança de velocidade já dentro da grande área e, em queda, tentou colocar fora do alcance de Joel Robles que não permitiu o avolumar do marcador.
O guardião estava a encher a baliza e, já em tempo de compensação, segurou a desvantagem mínima ao realizar uma defesa de encher o olho a remate do isolado El Ouazzani.
Tempo de descanso para bracarenses e estorilistas que protagonizaram uma primeira metade equilibrada e com atividade em ambas as áreas.
Forte reação canarinha perante desvantagem de dois golos vale um ponto
O Estoril Praia voltou a entrar bem na segunda parte com critério, posse de bola e boa reação à perda, mas foi o Braga quem dilatou a vantagem através de uma grande penalidade assinalada aos 53 minutos por alegada falta de Felix Bacher sobre El Ouazzani e convertida por Bruma que assim bisava no jogo.
Os homens da casa podiam ter partido para uma goleada, mas Joel Robles estava em dia sim e agigantou-se, cinco minutos depois, protagonizando a defesa da noite, quando Ricardo Horta apareceu isolado e rematou colocado e com força, em resposta a uma excelente assistência de Bruma. Que momento do experiente guarda-redes canarinho.
Já diz a máxima que ‘quem não marca, sofre’ e foi mesmo o que aconteceu no Estádio Municipal de Braga. Hélder Costa, acabado de ser lançado em jogo por Ian Cathro que voltou a apostar num 3-4-3 à semelhança do que fez com o Famalicão na jornada anterior, conseguiu importunar Arrey-Mbi e roubar a bola ao defesa central bracarense que acabou por cometer grande penalidade sobre o angolano. Na marca dos nove metros, Alejandro Marqués não tremeu e colocou o esférico dentro da baliza, reduzindo, desta forma, a desvantagem no marcador e colocando a turma da linha de volta à discussão do resultado.
Era o bálsamo que o Estoril Praia necessitava para voltar a perfumar o bem tratado relvado da ‘Pedreira’ com bom futebol, jogadas ao primeiro toque e foco no golo do empate, impulsionados pela raça imposta em cada duelo ganho.
O tal golo do empate não surgiu à primeira, através do remate de Salazar, de fora da área, para fora, mas surgiu à segunda, por intermédio do recém-entrado Gonçalo Costa. O ala esquerdo chegou à quadra cheio de energia, dinamizando o ataque canarinho e foi numa dessas incursões que assinou o segundo golo dos visitantes, aos 82 minutos. André Laxcimicant, também vindo do banco, criou o desiquilíbrio na defensiva, fez uma excelente abertura para Gonçalo Costa que tentou o remate na passada, a bola desviou em João Ferreira e traiu Matheus para felicidade da turma da linha, a fazer lembrar a recuperação de dois golos em Vila do Conde, frente ao Rio Ave.
Importa referir que todos os elementos que entraram em campo foram capazes de acrescentar algo à equipa, o que a manteve sempre por cima na segunda-parte.
Laxcimicant ainda tentou surpreender, aos 85’, com um remate de fora da área, mas Roger respondeu com um passe mágico para a cabeça de Bruma que só não celebrou um hat-trick porque Robles estava inspiradíssimo e posicionou-se na perfeição para bloquear a tentativa bracarense.
Roger foi uma dor de cabeça constante para os defesas canarinhos e, aos 90 minutos, centrou para Roberto Fernández que atirou por cima e, aos 96’, endoçou o esférico para o coração da área, mas o ponta de lança espanhol chegou atrasado. Nota ainda para o último lance do encontro que viu Bruma a desesperar quando desviou para a pequena área e não viu ninguém a aparecer para encostar com corte crucial de Felix Bacher.
Os minutos finais foram complicados, fruto das fortes investidas de Roger, Bruma e Gharbi, mas Pedro Álvaro foi um esteio no centro da defesa, cortando várias tentativas caseiras, coadjuvado pela entreajuda de todos os elementos canarinhos que, com muita personalidade e garra, foram capazes de arrancar a ferros um ponto num local onde o último resultado positivo tinha sido alcançado na temporada 2016/17.
O Estoril Praia volta a entrar em campo no próximo domingo pelas 20.30H, quando receber o Casa Pia, no Estádio António Coimbra da Mota, em jogo a contar para a 14ª jornada da Liga Betclic.


