Mentalidade de campeão vale vitória suada
A formação de sub-23 do Estoril Praia deslocou-se ao Estádio do Algarve, reduto do Farense, e triunfou por 2-3, com o resultado a final a aparecer já nos momentos finais da partida.
Entrar no jogo a ganhar é o sonho de qualquer treinador e Vítor Couto não podia estar mais satisfeito quando, na sequência de um canto, testemunhou a assistência de cabeça de Tiago Brito para o desvio de Gonçalo Monteiro naquele que foi um dos golos mais rápidos desta edição da Liga Revelação.
Ainda os adeptos estavam a entrar no Estádio do Algarve, já o Estoril Praia se encontrava em vantagem e foi este o fio de ligação no decorrer de toda a primeira parte, pois o Farense teve sempre problemas no início do processo ofensivo devido à pressão dos avançados e médios canarinhos e os visitantes acabaram por controlar as operações.
Não obstante, os algarvios ainda ameaçaram por duas vezes com remates perigosos de fora da área de André Silva aos 9’ e André Candeias aos 21’, sem efeitos práticos e, a partir dos 28 minutos, a turma da linha coleccionou oportunidades desperdiçadas.
Primeiro foi Gonçalo Monteiro a não aproveitar um excelente passe de Juan Herrera com um remate com pouca força para defesa fácil de Kauan Silva e aos 35’ foi Rúben Richards quem não conseguiu concretizar, após uma ótima assistência de André Gonçalves, com nota 10 para o guardião farense que desviou com o pé para canto.
As ocasiões iam-se sucedendo, mas a falta de eficácia imperou. Tiago Brito, influente no jogo estorilista, ameaçou de livre direto à entrada da área com o esférico a passar perto do poste esquerdo e num canto batido por Tiago Parente, Brito assistiu novamente de cabeça Juan Herrera que, em boa posição, não foi lesto o suficiente para aumentar a vantagem.
Entrada negativa na segunda parte obriga a horas extraordinárias
O Farense entrou de cara lavada para o segundo tempo e as substituições operadas ao intervalo tiveram impacto imediato no desenrolar dos primeiros minutos de jogo.
O primeiro aviso veio de André Candeias num remate perigoso desviado para canto que ainda assustou o guarda-redes Diogo Dias mas, logo a seguir, Gabriel Cardoso fez o golo do empate numa jogada de insistência. Ganhou o ressalto sobre Lanquetin e, ao ficar isolado, bateu um desamparado guardião canarinho aos 52 minutos.
Três minutos depois, foi John Velasquez que, assistido por André Candeias, ultrapassou Diogo Grima e rematou para uma defesa segura de Diogo Dias. O mesmo, aos 56’, rematou cruzado e causou calafrios à defensiva estorilista.
A evolução ofensiva da formação caseira era notória e, aos 69’, deu-se a já esperada reviravolta do Farense com André Candeias a receber um excelente passe que rasgou a defesa do Estoril, Tiago Brito ainda tentou o corte no desespero, mas o médio ofensivo farense driblou e colocou muito bem o esférico fora do alcance do guarda-redes.
A dinâmica estava completamente diferente na segunda parte com o Farense a partir em busca da vitória e a conseguir dar a volta ao resultado com uma entrada fortíssima após o regresso dos balneários, mas os campeões em título puxaram dos galões e a entrada de Santiago Rocha para refrescar a lateral esquerda teve efeitos imediatos.
O recém-entrado palmilhou toda a ala esquerda, centrou para a entrada da pequena área onde apareceu o luso-italiano Rúben Richards a desviar para dentro da baliza e a repor a igualdade. Logo a seguir, Tiago Brito rematou com muita potência, de longe, e o esférico sobrevoou a barra.
Os golos dos leões de Faro despertaram os estorilistas e Vital não conseguiu dar novamente vantagem na sequência de um canto batido por Santiago Rocha quando estava em boa posição. Já na jogada seguinte, Pedro Andrade subiu pela direita, fletiu para o meio, rematou com o pior pé, mas Kauan não teve dificuldades em segurar o esférico.
O Farense ainda tentou esboçar uma reação com Uri Lima a rematar de longe para fora com algum perigo, mas o jogo iria mesmo cair para o lado canarinho numa ponta final repleta de emoção.
Aos 92’, Santiago Rocha centrou muito bem para Richards que cabeceou de costas para a baliza. A trave não permitiu o festejo glorioso, mas a bola sobrou para Tiago Brito que em vôo desferiu um golpe de cabeça, sendo que há dúvidas se a bola ultrapassa totalmente a linha de golo. Em todo o caso, o árbitro Daniel Martins não concedeu o tento e no canto que resultou dessa jogada, o esférico caiu no coração da área e entre vários ressaltos apareceu Rúben Richards que, com total descernimento, ofereceu o golo a Martim Watts que não vacilou perante a oportunidade e assinou o resultado final com o seu primeiro golo pelo Estoril Praia.
O valente susto para os meninos da linha, foi suportado pela capacidade mental nos momentos fulcrais da partida que lhes valeu mais uma vitória no campeonato e a consequente subida ao primeiro lugar.


