Ian Cathro sublinha estabilidade pretendida para o Estoril Praia
O treinador do Estoril Praia, Ian Cathro, fez hoje a antevisão ao encontro com o Gil Vicente, na sala de imprensa do Estádio António Coimbra da Mota.
“Sabemos e vemos que o Gil Vicente é uma boa equipa. Cada pessoa que olha para o trabalho do Gil Vicente, nesta época, tem que valorizar claramente os jogadores em campo, porque o futebol começa sempre com os jogadores, mas também o trabalho do treinador que tem sido excelente. Junto a isso o trabalho do clube, estão a trabalhar muito bem, com uma visão muito clara na identificação de jogadores, recrutamento, estruturação e construção do plantel e é muito saudável ver este bom trabalho a ser feito por todas as partes. É uma boa notícia para o futebol português. Com tudo isso, sabemos que temos um jogo difícil pela frente e que estamos num momento que também vai aumentar a dificuldade pela disponibilidade dos jogadores. Temos que fazer mais um esforço e mostrar versatilidade para garantir que fazemos tudo o que podemos dentro da nossa realidade para competir ao máximo nos doze jogos que faltam”, avançou sobre o adversário.
Relativamente à última partida, sublinhou que o primeiro golo do AFS foi um rude golpe, mas que a equipa mantém a confiança de sempre: “Não acredito que haja impacto de ser um momento de desconfiança. O primeiro golo que sofremos no último jogo foi um choque, um murro no estômago e sentimos logo naquele momento. Infelizmente, não fomos capazes de reorganizar para conseguir o que queríamos do encontro. Mas também já passámos por vários momentos, não só esta época, em que seria normal ver uma equipa com pouca confiança, muito mais frágil, e acho que os nossos jogadores sempre deram uma resposta para mostrar que confiança e atitude haverá sempre. Se vamos fazer o jogo perfeito, provavelmente não. Estamos um bocado longe disso. Também sei que os nossos jogadores vão precisar de uma ajuda daqui para frente. Se queremos continuar o nosso crescimento, vamos precisar de uma ajuda para continuar a melhorar. Nos últimos 20 meses, temos mostrado todos, eu, o grupo, o staff, que estamos verdadeiramente num processo de crescimento, mas chega um limite e precisas de outras coisas para continuar neste crescimento. Vamos ter que adaptar, trazer mais jovens dos sub-23 e estar sempre atrás do equilíbrio certo no grupo.”
“Tem sido uma semana de treino normal. Como disse, essa é uma das vantagens que temos. Não andamos no drama, nem na euforia. Sabemos o que é trabalhar. Depois de ganhar um jogo, tens de voltar ao trabalho e trabalhar e tentar melhorar. Depois de perder é a mesma coisa. Mesmo se vais a um jogo e tens o mundo à espera de uma vitória e não consegues, é a mesma coisa. Temos que ser homenzinhos para continuar a trabalhar e tentar melhorar. Foi isso que fizemos esta semana e na semana seguinte não sabemos o resultado do jogo. Antes de começar o jogo, vai começar 0-0. Como acaba, ninguém sabe. Mas na semana seguinte vamos continuar o nosso trabalho e tentar melhorar”, referiu sobre como foi a semana de trabalho.
Questionado sobre se o Ferro terá agora de fazer o trabalho de Kevin Boma, por este se encontrar indisponível, Ian Cathro foi tácito na resposta, manifestando que quer que todos sejam iguais a eles próprios: “Não é que alguém tenha que fazer o trabalho do Kevin. O Ferro vai fazer o trabalho do Ferro e nós temos a sorte de ter três bons centrais. Não preciso que o Ferro seja o Kevin, nem que o Felix seja o Ferro. Quero que o Felix seja o Felix, que o Ferro seja o Ferro e que o Kevin seja o Kevin. Somos todos diferentes.”
Ainda sobre a ausência de Boma e a possível alteração de dinâmicas, o mister respondeu da seguinte forma: “Há uma razão para as pessoas dizerem que equipa que ganha não mexe, porque o futebol tem muito a ver com dinâmicas e relações. Qualquer treinador no mundo vai falar da importância da comunicação e sabemos que temos de trabalhar muito a comunicação mesmo nas nossas vidas pessoais. Às vezes, tenho quase a certeza que consigo falar com algumas pessoas próximas de mim sem abrir a boca. Isto também é comunicação e é algo que se consegue fazer com o tempo. Quando uma equipa de futebol, seja onde for, é obrigada a fazer várias mudanças ou integrar novos jogadores, não vai ser igual. E vai ser preciso dar tempo e trabalho a essas coisas para levar esta equipa até ao pico de rendimento. Mesmo sendo um clube que vai continuar a lançar jovens jogadores, a desenvolver qualquer jogador que entre no nosso grupo, também queremos um equilíbrio no plantel e que os jogadores, em vez de fazerem um ano e ir embora, fiquem um pouco mais tempo e que sejamos capazes de crescer.”
“Sobre o Félix e o Kevin, temos visto uma evolução enorme deles. É a segunda época juntos e têm muito tempo de jogo em conjunto, tal como muitos treinos, reuniões, vídeo, assim como bons dias, maus dias e ajustes. Tudo isso permite que a equipa cresça com a estabilidade e o rendimento que estes dois jogadores dão. E também o jogador individual cresce porque tem um contexto mais estável em que o pode fazer. Há um equilíbrio muito delicado num clube como este”, disse relativamente aos centrais canarinhos.
“O que quero ver no Estoril Praia é que não oscilamos entre o 14º e o 7º posto. Acho que isso é demais. Estabilidade, para mim, é algo em que não haja nenhum momento em que alguém olha para este clube com medo de descer de divisão. Vou continuar a dizer as mesmas coisas pelo facto de saber que é muito difícil. Não é nada fácil. E com as circunstâncias neste momento, fica ainda mais difícil. Mas como é a nossa realidade, vamos trabalhar em cima dela e não vamos inventar coisas”, finalizou.
O jogo com o Gil Vicente, a contar para a 23.ª jornada da Liga Portugal, está marcado para amanhã, pelas 18 horas, no Estádio António Coimbra da Mota e terá a arbitragem de Iancu Vasilica.


