Ian Cathro: “Objetivo passa sempre por somar os três pontos”
O treinador do Estoril Praia, Ian Cathro, fez hoje a antevisão ao encontro de amanhã com o Casa Pia AC, na sala de imprensa do Estádio António Coimbra da Mota.
A começar e lembrando que o objetivo do Estoril passa sempre por “somar os três pontos”, o técnico referiu sentir-se “revoltado” com o facto de o clube ter somado poucos pontos na tabela classificativa, pois diz que os jogadores e os adeptos mereciam que a equipa tivesse maior pontuação. Lembrou ainda que esta é a realidade, que é preciso viver nela, e que a equipa está “consciente e focada” em continuar o processo.
Uma das questões dos jornalistas baseou-se no facto de poder pesar chegar à oitava jornada com apenas uma vitória. Ian Cathro foi tácito na resposta: “Nós apenas controlamos o que é a nossa abordagem e esta baseia-se em viver no dia a dia, sabendo o que temos pela frente, também com uma convicção completa naquilo que é o nosso objetivo como equipa e para ajudar no crescimento do clube. Essas perguntas talvez sejam o reconhecimento de o facto de haver expetativas mais altas para esta equipa do Estoril Praia. Nós também sentimos isso, tivemos e temos expetativas mais altas e temos de lidar com o facto de termos sete jogos e poucos pontos. Para chegar a uma conclusão e olhar para a frente, temos de focar no que está a acontecer no campo, no jogo, no processo, no crescimento do clube e em tudo o que temos de fazer nos próximos três meses, nos próximos seis meses e no próximo ano. Temos de ser capazes de trabalhar da mesma maneira se tívessemos doze ou dez pontos, o que acho que não seria escandaloso, e isso cria estabilidade. Temos de ter cabeça para trabalhar nessa estabilidade.”
Relativamente ao adversário de amanhã, o técnico elogia uma equipa do Casa Pia AC que adjetiva como “competitiva e robusta”.
“Vejo continuação em muita coisa da época passada. É uma equipa super competitiva, muito robusta. Tem certos comportamentos com 0-0, outros com 0-1 ou 1-0, outros comportamentos do minuto 0 ao 20, comportamentos diferentes dos 20 aos 40. Tem esse tipo de gestão durante os jogos, o que os ajuda a serem robustos e competitivos. Tem boas armas ofensivas, tem experiência, tem jogadores que sabem tirar proveito das qualidades dos seus colegas e, por isso, é uma equipa muito equilibrada, super competitiva e difícil de dominar”, clarificou.
O timoneiro dos canarinhos sublinhou também que não irá entrar em campo com medo: “Faltam 27 jogos e, em todos eles, vamos entrar e tentar ganhar o primeiro minuto. Se não conseguirmos, vamos tentar controlar o segundo para tentar dominar o terceiro. Vamos viver assim. A parte mais importante em tudo isso é que acho que nós mostramos a toda a gente que não vamos jogar com medo, que não vamos oscilar entre uma coisa boa e uma coisa má e começar a viver no teatro do futebol. Quem trabalha e sabe trabalhar dentro destes momentos, sabe que se tens uma certa coragem e postura depois de ganhar cinco jogos, é preciso ter as mesmas qualidades e capacidades quando não ganhaste os últimos cinco jogos. Acho que as pessoas já sabem, mas vamos mostrar nos próximos três, quatro, cinco jogos que a nossa atitude é essa. Vamos tentar melhorar, sim. Acredito que vamos melhorar, mas não vamos mudar em termos dessa postura.”
Sobre as alterações no onze inicial e a titularidade de Patrick de Paula e Alejandro Marqués no encontro mais recente frente ao Sporting CP, Ian Cathro diz querer viver em meritocracia: “Nós precisamos de todos os nossos jogadores. Isso é um facto em todos os clubes do mundo. É mesmo preciso ter os jogadores todos disponíveis e preparados para competir e ajudar a equipa. Parece muito básico, mas não é fácil consegui-lo. Quero viver numa meritocracia. Só posso tomar essa decisão [de jogar um em detrimento de outro], se o jogador em questão fizer a sua parte. Não tem a ver com surpreender o adversário. Nós trabalhamos muito e talvez tome decisões que um ou outro jogador possa interpretar como quase injusto, mas é difícil garantir justiça a 25 pessoas. Tento, ao máximo, viver sempre na meritocracia. Por isso é que o Alejandro ganhou este espaço. Trabalhou muito para isso e, se quiser continuar, tem de trabalhar muito. Ganhámos mais uma opção, sim, mas por causa do trabalho que eles fazem e precisamos de todos.”
A terminar, deixou uma mensagem aos adeptos do Estoril Praia: “Sinceramente, não gosto de pedir muito dos adeptos. Acho que é um bocado forçado. O que é mesmo preciso é que eles saibam que têm alguém à frente da equipa que vai fazer de tudo para garantir e proteger o seu clube, não só que vamos fazer tudo para ter uma boa época e dar o salto. Não estou aqui para fazer seis bons meses e ver se alguém liga da Arábia. Estou aqui para fazer crescer o Estoril Praia. É um projeto super interessante e é o que precisa, porque normalmente, depois de uma boa época, vendemos todos os jogadores e todos vão embora. Quantas vezes é que o Estoril fez uma boa época e depois desceu de divisão? Isso não representa estabilidade. Estamos a tentar criar um modelo diferente que precisa de muitas coisas. Haverá altos e baixos ao longo deste caminho, mas nós estamos cá para tentar fazer algo muito mais resiliente e que ajude o clube daqui a três, quatro, cinco anos. Talvez não seja o aspeto mais importante no dia a dia, porque o mais importante é o último e o próximo jogo, mas também o é se conseguirmos criar uma base mais estável. Obviamente que, em termos económicos, há sempre este trabalho, mas dentro da equipa, ter uma atitude diferente, ter um respeito diferente pelo futebol que a equipa apresenta, tudo isso ajuda no crescimento do clube. Ao longo do tempo, acho que os adeptos vão gostar dessa parte, de ter malta aqui que quer fazer crescer o Estoril. Depois, se não ganhamos o primeiro minuto, quero sentir que eles não estão contentes e, se ganharmos o primeiro minuto, quero sentir essa ajuda também. Quando passámos um momento mais difícil em campo durante o último jogo em que o estádio estava praticamente todo vestido de verde, nós sentimos um grande apoio. Dava para sentir e isso é mesmo muito fixe. É algo que queremos alimentar cada vez mais, mas estar a pedir essas coisas, acho que não faz parte da minha forma de estar. Temos de mostrar em campo e, depois, com as nossas decisões e quando tiver oportunidade de explicar o porquê de estar aqui, o que quero fazer aqui, será diferente. Tenho muita dificuldade em mentir, só posso dizer o que sinto e o que quero conseguir aqui. Também sei que não vai ser nada fácil, mas este é o objetivo. Quero estabilidade. Um Estoril muito mais estável. Não o consegues tendo mais medo porque apenas tens cinco pontos ou a jogar como estrelas porque tens quinze. Temos de ser consistentes. Temos de melhorar todos os dias, sempre sem medo de dar passos atrás, só olhamos para a frente.”
O jogo com o Casa Pia AC está marcado para amanhã, no Estádio Municipal de Rio Maior, pelas 20:15 horas.
Podes ver a conferência de imprensa aqui.


