Bem-vindo ao Website Oficial do Estoril Praia
► Futebol

Ian Cathro: “O mundo não vai acabar depois destes três jogos.”

02.05.2026
Ian Cathro: “O mundo não vai acabar depois destes três jogos.”

O treinador do Estoril Praia, Ian Cathro, fez hoje a antevisão ao encontro frente ao SC Braga, a contar para a 32.ª jornada da Liga Portugal Betclic, na sala de imprensa do Estádio António Coimbra da Mota.

Numa análise ao plantel bracarense e mostrando-se satisfeito pela capacidade de manter o foco no trabalho seja qual for o resultado no fim de semana, o técnico quis aproveitar a oportunidade para parabenizar o adversário pelo triunfo na primeira mão da Liga Europa, perante o SC Freiburg: “Primeiro, tem sido uma semana boa. Tivemos oportunidade para refrescar e, obviamente, continuar a trabalhar. Se há alguma coisa positiva que fizemos nos últimos tempos, foi criar e manter a capacidade de trabalhar sem entrar em grandes oscilações, com resultados felizes ou menos felizes. Já temos essa capacidade de continuar a trabalhar. Em relação ao adversário, apesar de ainda faltar trabalho para fazer, quero dar os parabéns pelo resultado alcançado na primeira mão da meia-final da Liga Europa e pela época que têm feito até este ponto que pode levar uma equipa portuguesa a uma final europeia. Desejar-lhes toda a sorte nesta segunda mão na Alemanha. Também dizer que tenho uma grande admiração e um enorme respeito pela capacidade que o Braga, o treinador, a equipa técnica dele, os jogadores e o plantel tem mostrado, porque é um privilégio trabalhar no futebol e não é fácil. Ter tantos jogos, treinos, reuniões e sessões de recuperação sem ganhar sempre, porque ninguém ganha sempre, tem de ser valorizado. Sobre a equipa, sabemos que tem muita qualidade, com uma imagem e identidade, mas também com variabilidade e capacidade de ter diferentes planos de jogo, em função dos espaços que ocupam, para onde te querem atrair, além de ser uma equipa que joga com muita energia. Acho que está tudo dito nesse sentido. Nós esperamos fazer um bom jogo.”

Questionado sobre a sequência intensa de jogos do SC Braga e da possibilidade de haver uma rotação no oponente de amanhã, o mister respondeu da seguinte forma: “A minha experiência diz-me que todas essas coisas são um fator, e é verdade, tem lógica. Até pode haver rotação, porque fazer tantos jogos é impossível, os jogadores não conseguem. Nós temos tido muitas dificuldades e jogamos uma vez por semana, não é fácil. Mas quando o árbitro der o primeiro apito, começa o jogo de futebol e aí cada indivíduo quer fazer o melhor possível, cada equipa quererá mostrar o valor, a imagem, a magia, a intensidade, a qualidade, etc. Quando o jogo começar, não vamos ver uma equipa na praia e outra à espera do próximo. Nós queremos ganhar e o Braga também.”

Ainda sobre a carga de partidas no futebol atual, Ian Cathro falou sobre a realidade do Estoril Praia e no cômputo geral: “Para clubes com os nossos recursos é necessário termos a capacidade de encontrar o equilíbrio certo no plantel e, talvez, ter, jovens na equipa de sub-23 que estejam mais preparados para entrar ou ser um quarto ou quinto central. Temos tido algum azar aqui e ali e estamos a trabalhar em melhorar a qualidade no escalão de baixo também. Essa decisão [redução da carga de jogos] infelizmente não vai ser tomada por treinadores, porque acredito que seja a máquina de dinheiro que mandará mais do que treinadores ou departamentos médicos que querem ajudar na saúde, na capacidade ou no rendimento sustentável dos jogadores. A indústria está a ir numa linha e, obviamente, tem que parar em algum momento, porque estamos a falar de pessoas e seres humanos e há uma limitação.”

“O mundo não vai acabar depois destes três jogos para nós”, sublinhou, lembrando a importância de transportar o trabalho feito nestas primeiras épocas para a próxima etapa.

“A primeira fase era criar um Estoril mais estável, mostrar uma mentalidade e uma atitude em que tentamos jogar sem medo, com qualidade, com ambição e que somos capazes de fazer isso, nunca envolvidos numa possível descida de divisão. Aí, o Estoril torna-se em algo diferente, começa a ser mais atrativo, mais interessante pela maneira de jogar, pelo facto que já não é tão associado com essa luta, se vai descer ou não. Tudo isso permite-nos olhar para o futuro, talvez atrair melhores jogadores e posicionarmo-nos mais alto neste mercado, porque mostramos que temos competência e ambição. Esta próxima etapa pode ser uma fase em que começamos a ser um candidato para competir pelas competições europeias. Se nós, no futuro, chegamos a um ponto em que a cada quatro ou cinco anos estamos na luta pela qualificação, perto, com essa capacidade, sem descer no ano seguinte, este já vai ser o Estoril, provavelmente ao mais alto nível possível, dentro da realidade do que é o Estoril Praia. Como tenho este objetivo, não estou obcecado com os últimos três jogos, quero ganhá-los todos, mas não estou obcecado, nem com a imagem que fica, porque esta não vai ser a imagem que fica. Queremos fechar essa primeira fase e levar este projeto para a frente, ser mais competitivos e entrar nessa próxima etapa. Só que este é um trabalho que vai precisar de mais pessoas, muita gente alinhada, de apoio do clube, mais decisões e mais tempo. Temos que ver se vamos tomar esse passo”, afirmou.

Sobre se os últimos três desafios do campeonato servirão para preparar a próxima época, referiu o seguinte: “O Estoril, ou os outros clubes deste nível do futebol português, nunca vai ter o mesmo plantel três ou quatro anos seguidos. É uma necessidade e há momentos em que o ciclo acaba naturalmente. É inevitável que haja uma renovação, mudanças no plantel e na equipa, porque temos jogadores que têm evoluído e crescido muito. Tenho a certeza que o mercado está atento.”

A terminar, o treinador canarinho teve ainda tempo para valorizar o caminho das equipas portuguesas nas competições europeias, assim como a presença do SCU Torreense, uma equipa da segunda divisão nacional, na final da Taça de Portugal, elogiando a qualidade e evolução dos conjuntos e dos campeonatos lusos: “Isso mostra a qualidade que existe. Falo da qualidade do jogador, da formação dos treinadores, da cultura e do jogo. Todos têm uma responsabilidade enorme para, pelo menos, não dificultar este talento e este crescimento, que seja natural, do campeonato de futebol português, etc. Acho que é mesmo muito bom [ter equipas a chegar longe nas competições europeias e uma equipa da segunda liga na final da Taça de Portugal]. Mas, ao mesmo tempo, para ajudar o futebol português a crescer e valorizar-se ainda mais, não podemos ter jogos oficiais em datas FIFA e não podemos ter um Tondela contra o Estoril naquele relvado. Porque tens os “grandes” e o Torreense também, a mostrar outro nível e a elevar o futebol português, mas há sempre alguém a empurrar para baixo. E, quando assim é, fica limitado.”

O Estoril Praia vai defrontar o SC Braga amanhã, dia 3 de maio, no Estádio Municipal de Braga com arbitragem a cargo de Anzhony Rodrigues.


Partilhar:

#JuntosPeloMágico

Jogadores Estoril Praia