Ian Cathro focado em melhorar alerta para jogo difícil na Vila das Aves
O treinador do Estoril Praia, Ian Cathro, fez hoje a antevisão ao encontro com o AFS, a contar para a 22.ª jornada da Liga Portugal Betclic, na sala de imprensa do Estádio António Coimbra da Mota.
“Espero que não criemos dificuldades para nós próprios. Talvez tenhamo-lo feito no início do último jogo e, como queremos melhorar e aprender, talvez o primeiro passo seja olhar para nós antes do adversário. Está completamente provado que todos os jogos neste campeonato são diferentes, mas são muito difíceis e, por muitas razões, é um jogo que facilmente pode ser muito difícil para nós. Queremos aprender e melhorar e espero que mostremos que temos essa capacidade. Vamos ver amanhã”, começou por dizer.
Questionado sobre se os canarinhos seriam favoritos devido à delicada posição do adversário na tabela, o técnico recusou a premissa e lembrou o objetivo de melhorar: “Ser favorito ou não, não quero transmitir nada disso. Genuinamente, queremos tentar ganhar todos os jogos. O próximo jogo é contra o AVS, fora da casa, e nós queremos ganhar o jogo, tal como direi a mesma coisa na próxima semana e na seguinte. Talvez este jogo vai ter um certo ritmo que, no passado, tem sido perigoso para nós e aí é que posso reforçar o facto que, como nós queremos melhorar, aprender para tentar levar este clube um pouco mais além, temos que mostrar essa capacidade de, talvez, sofrer num certo ritmo, num cenário ou numa situação que pode acontecer num jogo de futebol e depois mostrar que temos a capacidade de ajustar, corrigir, melhorar e não sofrer da mesma maneira. Estamos focados nisso.”
Sobre o AFS, Ian Cathro apontou as dinâmicas diferentes desde que João Henriques assumiu o comando dos nortenhos: “Olhando para as últimas semanas e com o mercado de transferências aberto em janeiro, o que provocou algumas mudanças, dá para ver que o treinador e a equipa técnica estão aos poucos a encontrar o onze base. E também se nota outras dinâmicas na equipa, uma maior robustez na organização defensiva, mais intensidade nas tarefas de quem faz coberturas num certo espaço, etc. As dinâmicas ofensivas pelas características dos seus jogadores também são muito claras e têm três ou quatro jogadores capazes de criar um momento de aceleração no ataque de uma forma muito rápida. Além disso, têm uma peça na frente que é experiente, tem bom timing e sabe tirar proveito dos colegas. Sabemos que vamos jogar contra uma boa equipa. Não jogamos contra o último da tabela, jogamos contra os jogadores, contra uma equipa. E como a bola é redonda, pode cair e rolar para qualquer lado. Por isso é que o futebol é tão interessante.”
As distinções reconhecem o trabalho que tem sido feito por vós? A esta pergunta, o timoneiro canarinho optou por referir que o objetivo do último encontro não foi atingido: “Acho que seria absurdo dizer outra coisa que não seja sim. Só que, ao mesmo tempo, sinto que foi baseado nos jogos de janeiro. A última partida já foi em fevereiro e não conseguimos atingir o objetivo, nem fazer o jogo que queríamos. Se os jogadores dentro de campo não estiveram ao nível exigido no início, posso dizer, depois de uma reflexão, que o treinador não esteve ao nível que os jogadores precisam nos últimos minutos do encontro. Acho que falhei no meu objetivo de tentar ajudar os jogadores o máximo possível. Por isso, sabemos que não somos perfeitos, mas queremos muito melhorar, trabalhar juntos, fazer bons jogos, não repetir os mesmos erros e queremos todos muito tentar fazer tudo o que podemos para elevar este clube um bocadinho mais alto na ordem certa. Estamos muito mais focados nisso do que em festejar qualquer prémio. Acho importante dizer que sinto orgulho em nome dos jogadores e da equipa técnica pelo facto de que há grandes treinadores neste campeonato e estes optaram por olhar para o nosso trabalho e votar nesse sentido. É uma mais-valia para o clube também.”
Ainda no decorrer da conferência de imprensa, o técnico recordou as primeiras conversas antes de assumir o comando da formação da Linha. “Se não tivesse a noção da ideia de tentar fazer um Estoril um pouco diferente, não aceitaria o convite no início. A ideia era mesmo essa. Antes da minha chegada havia treinadores que passaram cá menos tempo, porque mudaram com mais frequência, sem ter grande impacto. Nas duas épocas antes, acho que o clube conseguiu 35 pontos numa e 33 noutra. Em fevereiro do ano passado, acho que passámos essa marca e, talvez, nesta época, consigamos chegar a este número em fevereiro também. A ideia era que uma mudança constante, não era o melhor. Senti das pessoas com quem falei que havia uma abertura e uma grande vontade para trabalhar de outra forma. Para isso é preciso encontrar a pessoa certa e vou tentar ao máximo mostrar que sou essa pessoa”, lembrou.
Questionado pelo facto de que se a liga tivesse começado a contar a partir da segunda volta, o Estoril Praia estaria no topo da tabela, Ian Cathro respondeu da seguinte forma: “Como as coisas não são bem assim, podemos olhar para a primeira volta e ainda ficar zangados com várias coisas e a frustração pode crescer. Ao mesmo tempo, só posso elogiar o trabalho dos jogadores e a capacidade de manter a mentalidade para trabalhar durante um período mais difícil para chegar ao ponto em que somos capazes de continuar num processo de melhoria. E agora sim, talvez os pontos estejam mais alinhados com o rendimento deste grupo de jogadores em campo.
Por último, proferiu algumas palavras sobre Ferro que, na última jornada, fez o golo do empate frente ao CD Tondela: “Acho que isso mostra que temos três jogadores muito bons para a posição e perfil de central. O Ferro merece ter muito mais minutos do que tem neste momento. Infelizmente não tem, mas acredito que vai ser alguém muito importante para nós e vai ajudar imenso esta época, tal como espero que no futuro também.”
O jogo com o AFS está marcado para amanhã, pelas 18 horas, no Estádio do CD Aves e será arbitrado por Luís Godinho.


