Fez-se história na Reboleira
Nunca antes o Estoril Praia tinha saído vencedor do Estádio José Gomes, pelo que se adivinhava uma noite complicada para a turma da linha, mas os comandados de Ian Cathro desafiaram o destino e fizeram história ao conseguir triunfar, hoje, por 2-4, na jornada 17 da Liga Betclic, frente ao Estrela da Amadora.
O tempo adverso entre frio e chuva, por vezes intensa, não convidava a uma assistência frutífera na Reboleira, porém, os jogadores canarinhos não se deixaram assustar pelas condições climatéricas e entraram assertivamente na partida com maior pendor ofensivo.
Yanis Begraoui deu o mote e, logo aos três minutos, tentou a sua sorte ao rematar fora da área, sem preparação, cuja tentativa passou a rasar a barra.
Só à passagem dos primeiros dez minutos é que o Estrela da Amadora brindou os seus adeptos com alguma posse e aproximações perigosas à área dos canarinhos.
Contudo, Xeka, no regresso à titularidade, tinha outras ideias e inaugurou o marcador pouco depois. O médio estorilista observou a movimentação da defensiva caseira, identificou o momento de pressão, roubou a bola após passe de Bruno Brígido, ficou com a baliza à mercê e rematou, sem apelo, nem agrado, para o fundo das redes.
A reação tricolor foi imediata com Kikas a combinar com Léo Cordeiro, o brasileiro optou por colocar o esférico no coração da área para desviar da saída de Robles, mas Boma, com autoridade, cortou o lance.
Os alertas soaram novamente no radar de Xeka que estava intratável e foi dele a assistência para o segundo golo do Estoril Praia à passagem dos 25 minutos. Num canto que o próprio médio português ganhou, João Carvalho colocou a bola na área, esta sobrou para o segundo poste onde estava Xeka que rematou à primeira volta, numa primeira tentativa, para defesa de recurso de Brígido, o esférico voltou aos pés do 88 estorilista que viu a movimentação de Yanis, endoçou-lhe a bola na pequena área e o franco-marroquino só teve de encostar para o primeiro golo com a camisola amarela. Estava dobrada a vantagem no Estádio José Gomes fruto de muita personalidade ao adotar uma atitude de pressão alta que rendeu aos canarinhos várias jogadas de perigo.
Três minutos depois, Kévin Boma ganhou um ressalto já dentro da área adversária e, só com o guarda-redes pela frente, rematou colocado para uma ótima defesa de Brígido.
Kikas ainda tentou surpreender Robles com um remate espontâneo, mas o espanhol estava atento e negou as intenções. E foi mesmo o Estoril a adiantar-se ainda mais no marcador, à meia hora de jogo.
Fabricio sofreu uma falta dura do lado esquerdo do ataque canarinho, Jordan Holsgrove bateu para a zona de perigo e o central, Tiago Gabriel, desviou para dentro da própria baliza. Infelicidade para o jovem, felicidade para a turma da linha que se via a vencer por três golos sem resposta.
A defensiva do Estrela estava a ter uma noite difícil e, dez minutos depois, quase havia novo autogolo num corte de Danilo Veiga a uma jogada perigosíssima criada por Wagner Pina.
Foi uma primeira parte de sonho para os canarinhos que aproveitaram bem as suas muitas oportunidades de golo e até poderiam ter ido com uma margem mais folgada para intervalo.
Marqués acalmou ansiedade estorilista
A perder por três, o treinador estrelista, José Faria, colocou Rodrigo Pinho e Paulo Moreira para arriscar em busca de uma reviravolta épica. Já Ian Cathro resgatou Pedro Amaral do banco de suplentes na tentativa de garantir uma maior estabilidade defensiva na ala esquerda.
O Estoril entrou com muita tranquilidade e qualidade na segunda parte e, logo aos 47’, João Carvalho isolou Yanis com um passe de classe e o avançado, em excelente posição, acertou com estrondo na barra. O franco-marroquino teve nova oportunidade à entrada da área, aos 51’, após passe de Hélder Costa, mas não conseguiu dar o melhor seguimento, rematando com pouca força e à figura do guardião.
Foi no melhor momento do Estoril Praia, com vários lances vistosos e jogadas perigosas desde que regressaram dos balneários, que os visitados conseguiram reduzir. Léo Cordeiro centrou com muita colocação para André Luiz, fazendo com que a dupla brasileira assinasse o primeiro dos tricolores.
O médio escocês, Jordan Holsgrove, deu o mote para a manutenção de uma postura ofensiva e tentou fazer o gosto ao pé de livre direto, tal como já havia feito frente ao Arouca, mas Brígido estava atento e defendeu com segurança.
Aos 68’, a novidade na convocatória, Rafik Guitane, voltou a entrar em campo pelo Estoril Praia mas, no primeiro toque na bola, atrasou para os pés de Bucca que encontrou rapidamente Rodrigo Pinho, ficando isolado perante Joel Robles. No frente a frente com o gigante espanhol, o experiente avançado picou, com tranquilidade, para o fundo das redes, reduzindo, ainda mais, a desvantagem para acordar um José Gomes adormecido desde a meia hora de jogo.
Os adeptos faziam-se sentir e o estádio entrava, naturalmente, em ebulição com a hipótese de uma estoica reviravolta. Até que o recém-entrado Alejandro Marqués acabou com as dúvidas ao responder com mestria a uma assistência com salpicos de magia do franco-argelino Guitane que assim se redimia no lance anterior. Era o quarto tento dos canarinhos que não marcavam tantos golos em condição de visitante num jogo da primeira liga há 75 (!) anos, imagine-se... Desde um Vitória FC 5-5 Estoril Praia, em 1949.
Sem deitar a toalha ao chão, o Estrela da Amadora continuou a tentar. Exemplo disso foi o cabeceamento de Bucca a responder a um centro de Paulo Moreira e o remate de fora da área ao lado, por intermédio de Rodrigo Pinho.
Contudo, o quarto golo do Estoril Praia havia arrumado a questão por completo e o resultado não iria sofrer alterações até ao final da partida.
Triunfo justo dos canarinhos que, nesta entrada em 2025, brindaram com três pontos os muitos e ruidosos adeptos que se deslocaram à Reboleira para assistir à primeira vitória fora num ano e dois meses.
O campeonato irá parar no próximo fim de semana, sendo que o Estoril Praia regressa à competição nos Açores, para defrontar o Santa Clara, no dia 18 de janeiro.


