Exibição mágica regada com classe vale triunfo sobre Vitória SC
O Estoril Praia recebeu o Vitória SC, naquele que foi o septuagésimo encontro entre as duas equipas, tendo vencido por 1-0, com um golo solitário de João Carvalho, perfazendo assim a terceira vitória consecutiva, algo que não acontecia desde a época 17/18.
O treinador Ian Cathro pediu energia e intensidade na conferência de imprensa de antevisão e foi mesmo isso que os seus pupilos entregaram esta tarde no Estádio António Coimbra da Mota que foi brindado com uma boa assistência (2660 espetadores), mesmo apesar da previsão de chuva que se abateu maioritariamente no decorrer da segunda parte.
A partida começou viva e manteve-se intensa durante grande parte dos 90 minutos, sendo que o primeiro lance de perigo surgiu logo aos cinco com uma abertura de Pina, que rubricou uma excelente exibição, para a velocidade do franco-marroquino, Yanis Begraoui, que, na cara de Bruno Varela e pressionado por Borevkovic, atirou cruzado com a bola a passar a centímetros do poste direito.
Wagner Pina foi um quebra-cabeças para o lateral esquerdo vitoriano, João Mendes, e, aos 16’, quase assistiu André Lacximicant que não conseguiu desviar para o golo quando estava já na pequena área.
O Vitória estava algo adormecido, mas rapidamente apareceu na Amoreira com uma jogada de combinação entre João Mendes e Telmo Arcanjo. O lateral esquerdo centrou atrasado para a marca de grande penalidade onde estava o médio ofensivo que, na passada, atirou com muito perigo para fora.
A velocidade máxima e intensidade foram uma constante, pelo que quem presenciou a partida, com toda a certeza que deu por bem empregue o seu tempo.
Aos 24’, foi a vez de Xeka, que dominou o meio-campo durante 70 minutos, a tentar a sua sorte com um remate de fora da área para uma grande defesa de Bruno Varela, após bela assistência de João Carvalho.
Na jogada seguinte, Pina teve nos pés o golo inaugural, mas não conseguiu desfeitear o guarda-redes vitoriano que teve uma abordagem rapidíssima ao remate do caboverdiano que havia sido assistido, primorosamente, por Yanis.
As ocasiões de golo iam-se sucedendo e, aos 33’, Jordan Holsgrove bateu um canto teleguiado para o primeiro poste onde apareceu Pedro Álvaro que cabeceou rente ao poste direito.
Cheirava a golo canarinho e foi mesmo isso que aconteceu à passagem do minuto 40, quando João Carvalho fez um passe magistral, de primeira, para Yanis que desferiu um potente remate ao ângulo esquerdo da baliza de Varela. O franco-marroquino festejou, mas Luís Godinho ouviu a indicação do VAR e anulou o tento por fora de jogo. Foram nove os centímetros que fizeram com que o nulo se mantivesse no marcador.
Antes da saída para o descanso, ainda houve tempo para Joel Robles brilhar com uma enorme mancha quando um passe a rasgar de Samu furou a defesa e encontrou Telmo Arcanjo na frente do espanhol. Levou a melhor o experiente guardião que fechou a baliza a sete chaves e o 0-0 foi o resultado com que as equipas seguiram para as cabines.
Arranque elétrico e trancas à porta
A segunda metade começou com o golo do Estoril Praia que trouxe justiça aos acontecimentos do jogo. O lateral esquerdo dos conquistadores, João Mendes, passou a bola para o círculo central, mas João Carvalho foi inteligente, posicionou-se devidamente para ir ao encontro do esférico, pegou nele, partiu para cima da defensiva vitoriana, fintou Rivas, e rematou sem hipóteses para o fundo das redes. Mais um golaço do médio português que havia assinado dois no triunfo nos Açores da semana transata.
O golo moralizou os canarinhos que jogavam ainda com mais tranquilidade misturada com energia e intensidade, um cocktail de dinamismo que confundiu o Vitória durante grande parte do encontro.
A reação minhota surgiu a partir dos 65’. Samu deu o mote e, na recarga a um corte de Robles após canto batido na esquerda, rematou, sem deixar a bola cair no chão, para desvio de Bacher para canto.
O Estoril acabou por recuar linhas para meter trancas à porta, até porque a chuva começava a cair com mais intensidade e todos os cuidados eram poucos.
Saído do banco, Alejandro Marqués ajudou a equipa a manter o sentido da baliza e tentou a sorte num remate de fora da área que saiu ao lado, passava o minuto 76’.
O Vitória ia forçando e Nélson Oliveira quase fazia o empate com um remate à meia volta, já dentro da área, após insistência do croata Borevkovic, mas este saiu ao lado do poste direito de Joel Robles que não teria qualquer hipótese de defesa, se o esférico tomasse o caminho da baliza.
Marqués era o rosto da resistência e, sempre que podia, colocava em sentido a defensiva vitoriana que nunca esteve confortável na partida. Aos 83’, depois de Rafik Guitane, também saído do banco, ter ganho a bola perto da meia lua, o espanhol rematou colocado, de fora da área, porém ao lado do poste direito, causando calafrios aos visitantes.
Os últimos minutos foram de sufoco para as hostes estorilistas... O primeiro susto do tempo de compensação surgiu quando Luís Godinho foi chamado pelo VAR para visualizar uma possível mão na bola de Pedro Amaral, mas o árbitro alentejano foi soberano e decidiu manter o seu primeiro instinto.
O segundo e último percalço foi da autoria de Nélson Oliveira que respondeu muito bem ao cruzamento de João Mendes, tendo colocado o esférico dentro da baliza, mas o árbitro assistente levantou, de imediato, a bandeira e anulou o lance por posição irregular.
Foi apenas aos 100 minutos que o apito final soou para uma vitória de energia, intensidade, classe e consistência, debaixo de chuva abençoada. O Estoril Praia completou, de forma justa, a terceira vitória consecutiva, abandonando o relvado sob um enorme aplauso da numerosa plateia canarinha repleta de jovens da formação e terminando um jejum de oito jogos seguidos sem vencer os vitorianos.
Sábado, pelas 18 horas, é, novamente, dia de jogo, desta feita em Barcelos, frente ao Gil Vicente, em partida a contar para a vigésima jornada da Liga Betclic.


