Crónica: Estrelas cintilantes na Amadora (0-5)
O Estoril Praia deslocou-se à Reboleira para defrontar o Estrela da Amadora e saiu do Estádio José Gomes com a maior vitória da temporada, até ao momento, um triunfo por 0-5.
A noite gelada nos arredores de Lisboa rapidamente aqueceu quando João Carvalho sacou do pincel e desenhou (mais uma) belíssima obra de arte, corria o terceiro minuto do desafio.
Já após duas investidas estorilistas, os canarinhos conquistaram um canto, a bola sobrou para o segundo poste onde estava o capitão que fletiu para o meio e colocou o esférico ‘onde dorme a coruja’, acordada pela bola a entrar de rompante em sua casa e pelo ruidoso grito de golo dos muitos e fervorosos adeptos amarelos presentes na bancada.
A resposta não demorou a aparecer e Kikas, dois minutos depois, tentou um remate, de meia distância, que não passou assim tão longe da baliza de Joel Robles.
O jogo estava rápido, vivo, interessante de acompanhar, mas só aos 21’ teve novamente momentos de frissom perto das redes, neste caso de Renan Ribeiro. O guardião tricolor conseguiu deter aquele que seria um contra-ataque digno de constar nos livros com uma defesa com o pé direito ao remate pleno de intenção de Yanis Begraoui, assistido por Rafik Guitane que correu metros e metros a alta velocidade.
Também a alta velocidade decorreu a primeira parte com futebol bonito e intenso, num frente a frente entre o jogo apoiado canarinho e as saídas rápidas do Estrela da Amadora com duas notas até Pedro Ramalho apitar para o intervalo: o remate perigoso de Encada que obrigou Joel Robles a defesa apertada, aos 37’, e a expulsão de Abraham Marcus, aos 43’.
Entrada fulminante e hat-trick a coroar
O Estoril Praia entrou no jogo praticamente a ganhar com o golaço madrugador de João Carvalho e o retorno dos balneários, na segunda parte, trouxe o mesmo desfecho e em dose dupla.
O capitão ia abrindo o livro e, aos 51’, assistiu na perfeição para o primeiro de três golos de Yanis Begraoui. Ainda assim, importa puxar a casstete atrás, pois a jogada é deliciosa. Misturou primeiros toques com splashes de magia divididos por quinze passes consecutivos e uma combinação final e letal entre Pedro Amaral, Alejandro Marqués e João Carvalho, sendo que o marroquino só teve de encostar para o fundo das redes. Mais um golo de antologia em 2025/26.
Como não há duas sem três, na jogada seguinte, Ricard antecipou-se na grande área ofensiva, foi carregado em falta e Yanis Begraoui não teve qualquer problema em converter a grande penalidade para o terceiro tento da turma da Linha.
Cada tiro, cada melro. Melhor dizendo, cada remate, cada golo de um canário que voava esfomeado na Reboleira. Aos 64’, João Carvalho fez a segunda assistência da noite com um cruzamento que explanou toda a sua qualidade e Alejandro Marqués estreou-se a marcar na liga com um desvio pleno de classe que levou o esférico à malha lateral interior da baliza de Renan Ribeiro.
Para coroar uma noite de gala, nada melhor que mais um hat-trick de Yanis Begraoui e com mais um golaço, corria o minuto 70. O avançado ultrapassou Encada com uma bela finta, tentou a sorte de ângulo quase impossível e foi feliz com a bola a entrar no único local onde seria possível acontecer tal desfecho.
O Estoril Praia foi gerindo os minutos finais com tranquilidade e qualidade na posse de bola e nem o livre de Jovane Cabral, aos 82’, assustou os comandados de Ian Cathro que asseguraram os três pontos com mestria, energia e atitude, desde o apito inicial.
Noite histórica no Estádio José Gomes, pois apenas na década de quarenta os canarinhos conseguiram marcar mais de cinco golos fora de casa na primeira divisão: 4-7 vs Salgueiros SC, em 1944/45; 2-6 vs FC Famalicão, em 1946/47; 2-7 vs SC Olhanense, em 1948/49.
O Estoril Praia volta a entrar em campo no próximo sábado, pelas 20:30 horas, no Estádio António Coimbra da Mota, frente ao Vitória SC.
Podes ver o resumo do jogo aqui.


