Estoril de primeira vence em Braga
O Estoril Praia deslocou-se, esta manhã, a Braga para defrontar as guerreiras do Minho, num encontro que terminou com vitória para as canarinhas por 1-2, num jogo puro de garra e superação.
A treinadora da equipa da linha, Liliana Dinis, optou por mudar o sistema tático e lançar uma defesa a cinco, com Mariana Campino, Inês Duarte, Iris Ferreira, Carolina Pocinho e Maria Malta, integrar Abby Kraemer na frente de ataque e recuar a habitual ponta-de-lança, Meredith Haakenson para o centro do terreno, tentando aproveitar as transições ofensivas para causar perigo e ajustar da melhor maneira em momento defensivo.
O plano resultou, mas as canarinhas tiveram de batalhar muito para sair a sorrir da cidade dos arcebispos. O assalto à defensiva canarinha começou cedo, ainda nem passava um minuto de jogo e Adriana Rocha, que assinou uma exibição fenomenal, à semelhança de toda a equipa, diga-se, já fazia a primeira defesa a cabeceamento de Malu Schmidt, solta na pequena área, após cruzamento de Taty Sena pela esquerda.
Dois minutos depois, a castigar uma falta de Patrícia Barreiros sobre Taty Sena, Ana Rute rematou colocado para defesa segura da guarda-redes visitante e, logo a seguir, foi Madalena Marau quem, por pouco, não chegou a tempo de desviar ao segundo poste o cruzamento da ‘10’ bracarense.
Foi uma autêntica avalanche de ataques perigosos do Braga nos primeiros 10 minutos com Taty Sena em grande destaque. Aos 7’, a protagonista mudou e Dani Silva tentou o chapéu, mas Adriana Rocha estava atenta e negou o inaugurar do marcador.
A serenidade chegou quando a capitã estorilista, Sara Brasil, começou a semear classe e tranquilidade em cada ação com bola. A equipa percebeu a mensagem e através de combinações com Abby Kraemer ou bolas na profundidade para Lara Perruca, foi conseguindo encontrar-se na partida.
À passagem do quarto de hora, Adriana voltou a brilhar. Mylena centrou da direita do ataque, a guarda-redes canarinha voou para se opor ao lance, conseguiu-o, mas deixou o esférico à mercê de Dani Silva que rematou de pronto, mas sem força.
O pendor ofensivo caseiro continuava ativo e, aos 22’, Taty Sena soltou para Mylena que, sob pressão de Inês Duarte, rematou fortíssimo às malhas laterais. Dois minutos depois, Pocinho tirou “o pão da boca” a Malu Schmidt, ao cortar in extremis para canto um cruzamento de Mylena. Logo a seguir, um trabalho coletivo entre Dani Silva, Dolores Silva e Malu Schmidt, deixou a brasileira em boa posição para fazer o primeiro golo da manhã, mas a finalização deixou a desejar e a bola foi ter tranquilamente com Adriana Rocha.
Apesar do domínio e das oportunidades criadas, era notório que o Braga não estava confortável no encontro, fruto da pressão aplicada pelas comandadas de Liliana Dinis. E quando conseguia uma ocasião clara, aparecia a guardiã canarinha como sucedeu aos 34’ minutos... Sissi centrou, de forma tensa, para a pequena área onde surgiu Mylena a cabecear com toda a intenção para uma enorme defesa de Adriana Rocha.
Nas raras ocasiões em que a última barreira estorilista estava batida, a entreajuda e união de grupo prevalecia. Aos 37’, Taty fez um passe na diagonal para Malu Schmidt que tocou no esférico tirando Adriana Rocha da jogada, rematou, já com pouco ângulo, para golo, mas apareceu Iris Ferreira no caminho da baliza e limpou a jogada.
Até Sandra Bastos enviar as equipas para os balneários, houve ainda tempo para vários lances de bola parada na área das visitantes, mas sem grande perigo a registar, pelo que o nulo era o resultado ao intervalo.
A “resiliência” protege os audazes e os sonhadores
A segunda metade iniciou como começou a primeira com o Braga a forçar a vantagem, através de nova entrada a todo o gás.
Nos primeiros quinze minutos, Malu Schmidt foi a figura principal de um autêntico “teatro dos horrores” no que a ocasiões desperdiçadas diz respeito. Porém, a primeira oportunidade até apareceu por Dani Silva, sempre muito ativa na ala esquerda, que fletiu para o centro e rematou em arco, mas a bola não acertou no alvo.
Na jogada seguinte, Ana Rute encontrou Malu Schmidt que se lançou ao relvado para tentar o desvio, conseguiu-o em esforço e Adriana Rocha resolveu com tranquilidade.
O Estoril Praia estava a cometer alguns deslizes na saída de pressão e, aos 51’, Schmidt voltou a ameaçar com um remate na passada, após bela assistência de Taty Sena, com o esférico a voar sobre o travessão.
Aos 54’, a número ‘9’ tentou um remate à meia volta para defesa segura de Adriana e, dois minutos depois, criou uma enorme oportunidade ao ultrapassar a guardiã, contudo atirou para muito longe da baliza.
Momentos depois, Ana Rute ganhou uma bola a meio campo, lançou Schmidt na profundidade, esta, já rodeada por quatro adversárias, fletiu para o centro e rematou em jeito para uma bela defesa da guarda-redes canarinha.
Depois do autêntico assédio de Schmidt e da estoica resistência de Adriana Rocha, o Estoril Praia apareceu, finalmente, na grande área bracarense e com muito perigo. Kraemer ganhou por duas vezes o esférico, entregou o golo de bandeja a Haakenson, mas a internacional portuguesa, Patrícia Morais, disse presente e negou o golo das visitantes com uma grande defesa para canto.
A primeira aparição da equipa da linha era o prenúncio para o que haveria de surgir nos instantes finais. Contudo, no lance seguinte a bola embateu no braço de Pocinho e Sandra Bastos não teve dúvidas em apontar para a marca de grande penalidade. Na cobrança, Taty Sena limitou-se a colocar a bola no fundo das redes com muita classe.
Como se costuma dizer, depois da tempestade vem a bonança e foi isso que aconteceu. Mesmo com danos, as canarinhas resistiram ao vendaval, não deitaram a toalha ao chão e continuaram a acreditar que seria possível mudar o rumo da situação.
Aos 68’, Liliana Dinis optou por colocar em campo Rochinha e Sarah Brasero, de volta após lesão, e estava no banco a chave do sucesso. Dez minutos após ter entrado em campo e ávida de tempo de jogo, Sarah Brasero começou a espalhar magia ao realizar uma ótima abertura a rasgar a defesa para Sara Brasil que acabou por rematar ao lado.
No lance seguinte, o Estoril Praia esteve muito perto do empate por intermédio de Maria Malta que, ao combinar com Rochinha, apareceu na cara de Patrícia Morais que respondeu muito bem ao desvio da lateral direita e negou o empate.
A pressão das canarinhas era notória e a alma da equipa, apesar de sempre ter estado presente, veio ao de cima nos momentos finais. Aos 79’, Meredith Haakenson encontrou Brasero na direita, esta fugiu para o meio e, já dentro da área, é derrubada por Ágata Filipa. A árbitra do encontro apontou para a marca dos dez metros e, após demora prolongada para análise de VAR, Brasil manteve a calma e, com toda a crença, rematou sem hipóteses para o empate.
O Braga parecia adormecido, a viver um pesadelo e tentou acordar quando uma sucessão de tentativas fez tremer a defensiva estorilista. Aos 85’, Inês Duarte cortou, in extremis, para canto quando Schmidt, novamente ela, rematou cruzado com muito perigo.
Na sequência, Zoï Van de Ven bateu o canto que é desviado ao primeiro poste, a bola chegou posteriormente a Ana Rute que, de primeira, atirou para golo, mas Adriana Rocha apareceu no sítio certo e protagonizou a defesa do jogo, rubricando uma exibição excecional. Porém, ainda havia tempo para mais uma defesa atenta no canto seguinte quando Mariana Azevedo disparou já perto da pequena área, mas Adriana estava intransponível.
O pesadelo bracarense adensou-se e as sonhadoras estorilistas fizeram jus à sua vontade de vencer quando, aos 92 minutos, Brasil fez um passe de génio ao picar a bola sobre duas adversárias, em direção a Brasero que, isolada perante Patrícia Morais, colocou-lhe o esférico entre as pernas para uma explosão de alegria e emoção nas hostes canarinhas.
Não houve tempo para mais e estava fechado o histórico resultado. O Estoril Praia venceu no reduto do SC Braga, facto nunca antes conseguido.
O resultado ajusta-se pela vontade inabalável das visitantes, castigando a falta de eficácia das visitadas. Assim sendo, o Estoril mantém-se no lugar de playoff de manutenção, mas distancia-se das posições de descida direta e aproxima-se do Damaiense que se encontra no tão ambicionado oitavo posto.
O próximo jogo da equipa feminina será no dia 15 de fevereiro, em Gaia, frente ao Valadares, a contar para a Taça de Portugal.


