Desfecho inglório no Jamor
O mítico Estádio Nacional do Jamor recebeu, hoje de manhã, a equipa feminina do Estoril Praia que disputou a 10ª jornada da Liga BPI, frente ao Racing Power, tendo saído derrotada por 3-2, mas deixado uma excelente imagem de crer, solidariedade e, acima de tudo, capacidade para ombrear com qualquer formação da principal divisão do futebol feminino em Portugal.
Quem teve oportunidade de assistir a este belo espetáculo de futebol matinal, com toda a certeza que não deu o seu tempo por perdido, pois tanto Estoril Praia como Racing Power quiseram jogar o jogo pelo jogo e proporcionaram excelentes lances de futebol vistoso, ao primeiro toque e com triangulações dignas de se enquadrarem no topo do desporto rei.
O treinador canarinho, Nuno Ventura, promoveu a manutenção no onze de Iris Ferreira para dar consistência ao meio-campo, após o encontro com o GD Ilha para a Taça de Portugal e a inclusão de Mafalda Almeida que dinamizou a ala esquerda com velocidade. Como resultado, as visitantes entraram melhor, acutilantes, reativas à perda e a mostrar capacidade de discutir o resultado.
A primeira aproximação foi por intermédio de um cabeceamento com pouca força de Sarah Brasero, mas que deu ilusão de ótica de golo ao banco estorilista, logo aos três minutos.
Aos 9’, foi a vez da capitã, Sara Brasil, tentar surpreender a guardiã do Racing Power, Michaely Bihina, com um remate do círculo central que levava a força e direção certa, porém a camaronesa estava atenta e negou a tentativa da avançada.
O Estoril Praia estava a demonstrar tremenda personalidade na troca de bola com várias chegadas perigosas à baliza das adversárias. Contudo, sem que ninguém o fizesse prever, e na primeira jogada passível de realce, as visitadas inauguraram o marcador. Vanessa Marques puxou dos galões, fez uma abertura fantástica para a direita onde apareceu Beatriz Rodrigues com espaço, esta centrou e a médio ofensivo fechou o lance com um cabeceamento certeiro.
A turma da linha não perdeu o norte e a resposta não podia ter sido melhor com o golo do empate a surgir cinco minutos depois. Daniela Santos abriu para Mafalda Almeida na esquerda do ataque, a ala subiu vários metros sem oposição, centrou para o coração da área onde a bola sofreu um desvio da defensiva caseira e sobrou para uma bem posicionada Meredith Haakenson que não teve problemas em encontrar o caminho da baliza. Estava reposta a igualdade e a justiça no marcador.
A partir deste momento, o Racing Power acabou por equilibrar a partida e foi conseguindo, a espaços, ir assumindo algum pendor ofensivo, fazendo, também, uso do maior poderio físico, nomeadamente nos últimos momentos da primeira parte.
E foi neste período que a desgastada formação canarinha claudicou. Aos 44’, Carolina Mendes cabeceou, já na pequena área, para uma defesa incrível de Adriana Rocha que desviou para o poste, sendo que Daniela Santos completou para canto. Na sequência do mesmo, a internacional jovem portuguesa protagonizou a defesa da manhã, a responder, de forma inacreditável a mais um cabeceamento com selo de golo de Vanessa Marques, salvando a equipa com uma palmada para o poste esquerdo. O alívio final foi feito por Carolina Pocinho, pois a bola ficou a saltitar em cima da linha proibida.
Já diz o provérbio que “tantas vezes o cântaro vai à fonte que uma vez deixa lá a asa” e o golo acabou mesmo por aparecer nesta fase de maior aperto das visitadas, por intermédio de Tânia Rodrigues, a responder ao cruzamento ao segundo poste de Inge Konst, numa jogada bem desenhada e sem hipóteses para a guardiã canarinha.
Ainda antes de Cátia Duarte enviar as jogadoras para os balneários, houve tempo para mais um belo lance de envolvimento no ataque estorilista com Sara Brasil a descobrir Meredith Haakenson, através de um magnífico passe em rutura, tendo a americana rematado com violência para defesa segura de Bihina.
Canarinhas mereciam mais
Golos no tempo de compensação das primeiras partes afetam sempre o aspeto mental, consciente ou inconscientemente, das atletas e o Racing Power entrou melhor para os derradeiros 45 minutos com aproximações que colocaram em sentido a defensiva estorilista.
Contudo, demonstrando muito espírito de luta e uma aura fora do habitual, foram mesmo as pupilas de Nuno Ventura que tiveram o primeiro lance de perigo. Mafalda Almeida voltou a subir pela esquerda do ataque sem oposição, soltou para Sarah Brasero à entrada da área que rematou prontamente, mas o esférico saiu ligeiramente ao lado do poste esquerdo.
Inge Konst não apreciou o atrevimento das visitantes e tentou a sua sorte, cinco minutos depois, com um remate fortíssimo que não passou nada longe da baliza de Adriana Rocha.
O jogo estava dividido, vivo e cheirava a golo… E Sara Brasil não deixou os créditos por mãos alheias e fez as delícias dos muitos estorilistas presentes no Jamor com um golo de antologia à passagem dos 60 minutos. Sarah Brasero descobriu a avançada com um passe longo com as medidas perfeitas, Brasil aguentou a pressão da central, ganhou a posição e desviou do raio de ação de Bihina para recolocar a igualdade no marcador.
Os lances dividiam-se entre uma área e outra, pelo que não foi de estranhar que o Racing Power tivesse enviado uma bola ao travessão, por parte da internacional portuguesa Vanessa Marques, na sequência de um canto. No minuto seguinte, Mercy Idoko fugiu à linha defensiva e só não marcou porque Adriana voltou a agigantar-se na baliza do Estoril Praia e negou os intentos da avançada.
A formação da linha nunca deixou de acreditar na vitória e, aos 68’, num livre estudado com Brasil a abrir na direita para Brasero que centrou para a marca de penalidade para Daniela Santos, quase se colocavam pela primeira vez na frente, mas o esférico embateu na muralha laranja.
A experiência acabou por falar mais alto, tal como a estatura de uma equipa para a outra, e Carolina Mendes concretizou o terceiro tento, de cabeça, ao segundo poste, após cruzamento bem medido de Mercy Idoko.
Duro golpe na brava equipa canarinha que muito vinha a lutar para evitar um desfecho negativo nesta solarenga manhã de inverno.
Nunca desistindo, apesar da dificuldade, as visitantes foram novamente em busca da felicidade e, por pouco, não sorriram… Primeiro com um remate perigoso, de fora da área, da recém-entrada, Mariana Coelho, depois por Sara Brasil que, de livre direto, obrigou Bihina a brilhar na baliza do Racing Power.
Desfecho inglório no último jogo do ano, mas ficou na retina a capacidade de entrega, espírito de sacrifício e qualidade técnico-tática da equipa estorilista.
O próximo jogo da equipa feminina do Estoril Praia será no próximo dia 5 de janeiro, frente ao Valadares Gaia, no Estádio das Seixas, na Malveira.


