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Crónica: Luz surgiu no fim do eclipse

13.08.2026
Crónica: Luz surgiu no fim do eclipse

A equipa de sub-23 do Estoril Praia iniciou a Liga Next Gen com um empate a três bolas com o atual campeão da Taça Revelação, o Gil Vicente, alcançado nos últimos minutos da partida.

Num encontro marcado pelo eclipse total do sol que alcançou a sua plenitude durante o aquecimento das duas formações, o jogo acabou por ser tudo menos uma escuridão de ideias com muitos e belíssimos golos.

O primeiro raio de luz surgiu pela cabeça de Pedro Andrade que, ao desviar um canto de Júlio Gil, aos sete minutos, quase inaugurava o marcador.

No canto seguinte, foi o próprio Júlio Gil que dispôs de uma boa ocasião. Após um ressalto, o esférico sobrou para o lateral esquerdo que rematou sem deixar a bola cair e esta passou a centímetros do poste direito de Gibril Bayoumi.

O Estoril Praia entrou melhor na partida com várias aproximações e cantos, e sem que nada o fizesse prever, o Gil Vicente colocou-se na dianteira no primeiro remate à baliza, à passagem do quarto de hora. Daniel Amorim recebeu a bola na direita, fletiu para o meio, já dentro da área, atirou em arco com o pé esquerdo e assinou um grande golo.

A formação canarinha não abrandou, intensificou a toada já de si interessante e chegou mesmo à igualdade, cinco minutos depois, com um golo de antologia. João Sousa pegou na batuta a meio campo, entregou o esférico a Evandro Luz que, de cabeça, fez uma abertura para Pedro Andrade. O lateral direito ultrapassou, em velocidade, um adversário e centrou para o coração da área onde apareceu Baruti com um belíssimo toque de calcanhar, a desviar para o fundo das redes. Estava reposta a merecida igualdade.

Os canarinhos voavam livremente e iam expondo o seu bom futebol desde o início. Porém, o eclipse parecia mesmo ter vindo para ficar e a escuridão apoderou-se do António Coimbra da Mota quando, de repente, mais uma vez, o Gil Vicente fez não um, mas dois golos de rajada.

Aos 28’, Guilherme Freitas aproveitou um lançamento de linha lateral para executar um belo drible, entregou a Ricardo Martins à entrada da área e este desferiu um excelente tiro, sem qualquer hipótese para Fletcher Lowe.

Dois minutos volvidos, um alívio acabou por se transformar em assistência com o vento a ter a sua quota parte de culpa. Indiferente, Ricardo Martins recuperou o esférico e, de pronto, enviou-o em arco, desviando-o de Lowe e Sidibe para o 1-3.

Qualquer equipa sente o impacto de dois golos num tão curto espaço de tempo, mas os jovens estorilistas nunca desistiram e procuraram sempre a luz que os fizesse brilhar. Contudo, sem lances de registo até ao intervalo.

Evandro foi a Luz que deu início à busca do merecido ponto

Com a difícil tarefa de marcar dois golos, no mínimo, em 45 minutos, para poder retirar algo do desafio, os estorilistas entraram com muita crença, mas sem a melhor definição e o jogo foi-se desenrolando aos solavancos, sem uma ligação fluída entre setores.

Apesar do domínio territorial, o primeiro clique deu-se apenas aos 59 minutos quando Jaime Costa introduziu a bola dentro da baliza, mas Baruti havia tocado com o braço e o lance não contou.

Ainda assim, foi o mote necessário para que os canarinhos conseguissem explanar da melhor forma o seu futebol.

Aos 72’, Frank Aziz, recém-entrado, colocou a cabeça em água à defensiva gilista e, perante dois oponentes, cruzou para o segundo poste onde apareceu Evandro a ser a Luz que o Estoril Praia necessitava. De extremo para extremo, Evandro Luz cabeceou em mergulho numa praia deserta de opositores, colocando o resultado na margem mínima.

O domínio era, agora, total e os canarinhos iam-se aproximando com cada vez mais perigo. Aos 85’, também saído do banco de suplentes, Martim Dias ganhou o esférico em zona avançada e, frente a frente com Bayoumi, não conseguiu que o remate rasteiro saísse do raio de ação do guarda-redes marroquino, com este a salvar autenticamente para canto.

Três minutos depois, Bayoumi voltou a brilhar com uma grande defesa em resposta a um remate acrobático de Afonso Vieira, já depois de ter negado o cabeceamento de Baruti com a perna esquerda. Que momento para o guardião.

O período de descontos teve de tudo e ninguém mais se lembrou de nenhum eclipse. Aos 94’, Jaime Costa teve a clarividência necessária para introduzir o esférico dentro da baliza, depois de vários ressaltos dentro da área. O endiabrado Aziz voltou a fazer das suas, centrou para a cabeça do compatriota americano Ayden Romo com Bayoumi ainda a negar, porém o criativo Jaime Costa estava no sítio certo, à hora certa e rematou por entre três defesas para o empate.

Até final, o coração dos estorilistas ainda bateu forte, mas Fletcher Lowe agigantou-se e protagonizou a defesa da noite com uma excelente estirada a um remate muito potente, já dentro da área, de Júlio Martins. Que reflexos do guarda-redes sul-africano.

Repleto de emoção, terminou igualado o jogo inaugural da Liga Next Gen para o Estoril Praia com a luz a surgir após o eclipse.

O próximo desafio dos jovens canarinhos será ante o SC Farense, no dia 18 de agosto, pelas 17 horas, no Algarve.


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