Crónica: Jovem canário voa entre ventos insulares
Os sub-23 do Estoril Praia regressaram às vitórias no apuramento para a Taça Revelação com o triunfo sobre o CS Marítimo, por 2-0, esta tarde, no Estádio Nacional do Jamor.
Em plena sexta-feira 13, foi tudo menos azar o que aconteceu no bosque do Jamor com os canarinhos a conseguirem colocar em campo a sua qualidade, apesar das difíceis condições do relvado, devido à intempérie que se tem feito sentir nos últimos dias em Portugal.
Ayden Romo e Jaime Costa foram os anfitriões de serviço, pegaram no jogo da turma da Linha e elevaram-no a um patamar difícil de atingir para os oponentes. Aos 12’, começaram a criar perigo com um cruzamento do norte-americano para o coração da área onde estava o português que rematou, de primeira, mas não acertou com o alvo.
A resposta do Marítimo apareceu rapidamente, aos 16’, e com muito perigo pelos pés de Francisco Gonçalves ao obrigar Fletcher Lowe à defesa da tarde com uma enorme mancha.
O terreno estava notoriamente a dificultar a tarefa dos intervenientes. Assim sendo e face à incapacidade para fixar os apoios em jogadas de ligação, a solução foi o remate de fora da área. Jan Montes foi o protagonista com três na conta pessoal, apenas na primeira metade do encontro.
Até que, aos 34’, a dupla Romo-Jaime fez mesmo danos, qual tempestade internacional. O ‘furacão’ Ayden colocou os defesas maritimistas com a cabeça em água, desbloqueou na direita e ofereceu o golo a Jaime Costa que podia ter-se dado ao luxo de perguntar a Pedro Gomes, guarda-redes insular, para que lado queria a bola, com a jogada a terminar, inevitavelmente, em festejo canarinho.
Não satisfeito, Romo continuava a voar pelas alas e, aos 43’, ganhou uma bola em terreno ofensivo, foi carregado já dentro da área, aguentou a carga, endoçou para Baruti e o ponta de lança francês rematou à meia volta, de primeira, para um golaço pleno de oportunidade a terminar a primeira parte.
Consistência nas asas de Romo
Uma autêntica tempestade abatia-se sobre o Estádio Nacional do Jamor, com trovoada incluída, no início da segunda metade e foi o Marítimo que, na necessidade de voltar à partida, dispôs de duas aproximações perigosas.
Aos 48’, Francisco Silva, em esforço, conseguiu cabecear, em balão, com o esférico ainda a tocar na parte superior do travessão. Dois minutos depois foi Guilherme Alves que tentou um tiro de meia distância detido, com segurança, por Fletcher Lowe.
Contudo, Jaime Costa pegou na batuta, levou a equipa para a frente e, aos 57’, galgou vários metros até posição de remate, arriscou, mas Pedro Gomes respondeu à altura e desviou para canto.
Se o terreno já estava difícil, pior ficou com a quantidade de chuva que caiu em tão curto espaço de tempo, acompanhando assim a natural queda de qualidade do espétaculo.
Até que, aos 76’, num cantido batido à moda da seleção nacional no Euro 2016, Jan Montes encontrou Romo ao primeiro poste e o pequeno extremo quase marcou de cabeça.
Logo a seguir, Milos Dragicevic dispôs da maior oportunidade ao ficar caprichosamente isolado, mas o remate à meia volta saiu torto e o lance perdeu-se.
O jogo voltava a agitar subitamente e entre ventos fortíssimos e bátegas de água, Ayden Romo continuava a voar com velocidade estonteante. Aos 80’, e naquela que foi a última jogada de perigo do encontro, correu vários metros isolado, porém a recuperação defensiva foi intensa e a tentativa do jovem esbarrou na mancha de Pedro Gomes.
Vitória justa do Estoril Praia que teve na técnica de Jaime Costa e na imprevisibilidade de Ayden Romo as chaves para abrir o baú maritimista e ficar com os três pontos.


