Crónica: Coligação Begraoui-Marqués origina tempestade amarela
O Estoril Praia recebeu e venceu o Vitória SC, por 4-2, no Estádio António Coimbra da Mota, numa excelente promoção do futebol português e depois de ter estado em desvantagem por duas ocasiões.
A tempestade que se abateu nos últimos dias em Portugal Continental deu tréguas, o céu limpo apareceu e o sol do Estoril Praia brilhou nas botas dos craques canarinhos que apresentaram, novamente, futebol de elite com vários momentos de requinte.
Contudo, nem tudo foram rosas. O Campeão de Inverno puxou dos galões no início da partida e criou perigo à passagem do quarto de hora com um cabeceamento de Ndoye, após cruzamento bem medido de João Mendes que Robles resolveu com tranquilidade.
Marqués deu o primeiro alerta amarelo e quase festejava quando Castillo largou a bola à sua frente, porém o remate ficou preso na muralha que Miguel Nóbrega ergueu e o perigo passou.
Com oportunidades dos dois lados, a bola acabou mesmo por entrar num remate à meia volta de Samu, aos 27’, sem hipóteses para Robles apesar da estirada.
Foi sol de pouca dura, pois a resposta não demorou e os canarinhos começaram a bater as asas para o tento do empate nos pés do goleador de serviço, Yanis Begraoui. Rafik Guitane ultrapassou dois adversários e serviu, com muita categoria, o franco-marroquino que atirou cruzado para o fundo das redes.
O jogo estava bom, vivo, intenso, numa belíssima promoção ao futebol nacional e o Vitória não se quis ficar atrás. Mitrovic, aos 34’, bateu um irrepreensível livre direto e voltou a colocar os visitantes na frente.
A terminar a primeira parte ainda houve tempo para a tentativa de livre direto de Jordan Holsgrove, mas o remate saiu ligeiramente por cima do travessão.
E tudo o vento amarelo levou
A segunda metade iniciou com dois lances de perigo de Samu com Robles a defender com uma palmada plena de reflexo a primeira incursão, sendo que a segunda saiu pouco ao lado do poste esquerdo do guardião espanhol, corria o minuto 50.
A partir deste momento, só deu Estoril Praia e o que se assistiu na Amoreira foi um autêntico vendaval de futebol de elite.
Rafik Guitane ia dando espetáculos de magia cada vez que pegava no esférico e, numa dessas jogadas de génio, encontrou a cabeça de Marqués que, num belo gesto técnico, conseguiu acertar no alvo e derrubar a primeira torre do castelo vimaranense.
Os canarinhos voavam alto, alegres, confiantes e Yanis Begraoui voltou a aparecer aos 62’, a desviar um canto de João Carvalho, de calcanhar, mas a bola terminou na malha lateral.
No minuto seguinte, Rafik, sempre ele a colocar a defensiva visitante em sentido, abriu para Marqués que por pouco não fez o segundo da conta pessoal e o terceiro no marcador. O esférico desviou em Miguel Nóbrega e saiu a rasar o poste direito de Castillo.
Não foi aos 63’, foi aos 64’ que Alejandro Marqués mostrou toda a sua qualidade com mais um toque de excelência, após um centro com conta, peso e medida de Jordan Holsgrove, a fazer lembrar o golo assinado na Amadora, na passada segunda-feira. Estava derrubada a torre de menagem e consumada a reviravolta que fez o António Coimbra da Mota entrar em ebulição.
Sem tempo para respirar, Ndoye teve nos pés o golo do empate, aos 70’, mas o avançado atirou para as nuvens e desperdiçou uma excelente ocasião.
A lógica de que quem não marca, sofre é uma velha máxima que raras vezes foge à realidade e voltou a acontecer... Aos 78’, Pizzi recuperou uma bola no meio campo, desmarcou Yanis Begraoui com um passe teleguiado e o avançado não se fez rogado, colocou um ponto final na decisão do vencedor da contenda e um ponto de exclamação na vitória estorilista.
Depois da tempestade, veio mesmo a bonança com um alerta amarelo que soou bem alto na Amoreira. Segundo triunfo canarinho que assim alcança os 26 pontos na Liga Portugal Betclic.
Podes ver o resumo do jogo aqui.


