Arquiteto de La Masia com obra digna de Pritzker vale três pontos saborosos
Era um adversário historicamente difícil aquele que visitava o Estádio António Coimbra da Mota na noite de hoje. Em 20 jogos na Amoreira frente ao Rio Ave, o Estoril Praia apenas havia vencido quatro, mas quis o destino que o desfecho fosse diferente a 22 de fevereiro de 2025 e, desta forma, os canarinhos triunfaram por 2-1 com emoção até ao último minuto.
A caravela de Vila do Conde costuma navegar tranquilamente pelos mares cascalenses, mas hoje encontrou uma onda gigante, perto da Praia do Tamariz, cheia de força para levar a sua avante. Claro está que estamos a falar do Estoril Praia que se apresentou com muita qualidade no meio campo, com Jordan Holsgrove a perfumar com toques de classe, Zanocelo a estancar as tentativas vilacondenses e João Carvalho, nomeado homem do jogo no final do encontro, a carregar a equipa para a frente. Ao mesmo tempo, Wagner Pina foi uma constante dor de cabeça com as suas arrancadas pela direita e Yanis Begraoui sempre à espreita do melhor momento para voltar a sorrir com a camisola amarela.
Com duas equipas que levaram quase todos os troféus de melhor do mês para casa, João Carvalho e Ian Cathro do lado canarinho e Clayton e Miszta do Rio Ave, esperava-se um jogo entretido e bem jogado e foi mesmo isso que os 2721 espectadores tiveram oportunidade de testemunhar.
Vinicius Zanocelo, presente no onze titular a colmatar a ausência de Xeka, foi o primeiro a alvejar a baliza dos visitantes ao aproveitar um mau alívio de Brandon Aguilera, mas o remate saiu à figura de Miszta que defendeu com tranquilidade.
O equilíbrio foi a palavra de ordem nos primeiros 20 minutos, até que Yanis Begraoui decidiu espevitar os adeptos ao finalizar uma belíssima jogada de entendimento, entre Pedro Amaral e João Carvalho, com um remate ao poste. Na recarga, Pina atirou por cima, mas o lance foi invalidado por fora de jogo.
O Rio Ave levou este aviso de uma forma muito séria e respondeu, aos 27’, com um cabeceamento de André Luiz à figura de Robles, após centro de Vrousai. Aguilera voltou a ameaçar com um canto direto que poderia ter levado muito perigo à baliza do guardião espanhol, caso este não estivesse atento e não tivesse socado para longe. Contudo, a partir deste momento, só deu Estoril Praia até ao intervalo.
Aos 34 minutos, Pina apareceu solto de marcação pela direita, centrou para o coração da área, onde estava Pedro Amaral que desviou com o pior pé por cima do travessão.
A equipa da Linha começava a cheirar o golo e as ocasiões iam-se sucedendo... Quatro minutos depois, foi Rafik Guitane que tentou a sua sorte com um remate a fazer lembrar Robben nos seus tempos áureos, mas o esférico saiu por cima. Logo a seguir, foi João Carvalho quem, na passada e de fora da área, desferiu um tiro, porém com pólvora seca e Miszta não teve dificuldade em resolver.
Era notório o maior pendor ofensivo caseiro e, no último lance da primeira parte, Jordan Holsgrove, novamente de fora da área, rematou a rasar a barra, levando ao desespero os fervorosos adeptos estorilistas.
Golaços carimbam vitória
O início da segunda metade foi a réplica dos últimos momentos da primeira e o Estoril Praia continuou por cima na partida até Yanis Begraoui colocar justiça no marcador aos 54’.
Numa belíssima jogada com toques de primeira que baralhou por completo a defensiva rioavista, Rafik Guitane colocou em Begraoui que não perdeu tempo, tocou para João Carvalho, o criativo português devolveu imediatamente e deixou o franco-marroquino perante um desamparado Miszta que nada pôde fazer para impedir o estorilista de festejar novamente na Amoreira. Golaço de antologia dos pupilos de Ian Cathro.
Zanocelo ainda tentou ampliar a vantagem com uma tentativa por cima, mas o Rio Ave respondeu bem ao golo sofrido e avançou no terreno.
Aos 70’, Tiago Morais encontrou Clayton solto entre os centrais e, frente a frente com Robles, viu o espanhol agigantar-se e protagonizar uma defesa estonteante aos pés do brasileiro.
João Carvalho percebeu o perigo, foi pegando na batuta e pausando o jogo, tentando até um chapéu ao guarda-redes polaco com abas demasiado largas, mas foi mesmo Tiago Morais quem saiu do banco para dinamizar o ataque visitante.
Aos 81’, penetrou pela direita e rematou com intenção para defesa fácil de Robles. Porém, era só o aviso para o que viria a suceder dois minutos depois...
Vrousai centrou da direita, Pedro Álvaro cortou numa primeira instância, mas o esférico sobrou para Tiago Morais que, solto ao segundo poste e de primeira, bateu Joel Robles para o golo do empate.
Balde de água fria numa noite que se augurava feliz, mas até o lavar dos cestos é vindima e o Estoril Praia não deitou a toalha ao chão.
Ian Cathro foi lesto... Retirou Pedro Álvaro para colocar Alejandro Marqués em campo e a mensagem foi clara para os jogadores: “Vamos em busca dos três pontos!”
O melhor estava reservado para o final, pelo que, aos 90 minutos, Jandro Orellana, o arquiteto de La Masia, escola de futebol do FC Barcelona, desenhou uma obra digna de receber um Pritzker, ao rematar ao ângulo, sem deixar a bola cair no chão, para um golaço de levantar o Estádio António Coimbra da Mota. A jogada foi construída por Wagner Pina, sempre em destaque durante a partida, Vrousai cortou o cruzamento ao segundo poste, mas o esférico sobrou para Jandro que não pensou duas vezes e colocou o Estoril Praia novamente em vantagem no marcador.
Antes de terminar e já aos 95’, Bakoulas, a responder ao canto batido por Vrousai, ia tornando o conto de fadas canarinho numa tragédia grega e cabeceou com muito perigo com a bola a rasar o poste direito de Robles.
Momentos depois, Sérgio Guelho apitou pela última vez... Cabo das tormentas ultrapassado e foi sob fogo de artifício que o Estoril Praia somou mais uma vitória, 34 pontos, e segue, agora, com oito partidas sem conhecer o amargo sabor da derrota.
O próximo jogo dos canarinhos será em Alvalade, no dia 3 de março, pelas 20:15 horas, frente ao Sporting CP.


