A traição do Canário
A equipa de sub-23 do Estoril Praia deslocou-se, hoje, ao Estádio Aurélio Pereira, em Alcochete, para defrontar a formação do Sporting CP, em jogo a contar para a fase de apuramento de campeão da Liga Revelação, tendo saído do reduto dos leões com um empate a duas bolas, sendo esta a terceira igualdade entre as duas equipas em três jogos disputados.
A turma de Vítor Couto vinha de um resultado pouco favorável frente ao Estrela da Amadora e mostrou-se pronta a dar uma boa resposta no encontro com o Sporting desde o início da partida com uma atitude competitiva digna que forçou muitos duelos a meio campo e luta pela posse de bola.
E assim foi o começo do jogo, com 15 minutos de estudo mútuo, até que Amadu Baldé, a passe de Gabriel Silva, decidiu agitar as águas com um remate de fora da área para fora que levou perigo à área do Estoril.
Os canarinhos iam-se aproximando do meio campo defensivo caseiro com combinações interessantes entre Santiago Rocha, Manga Foe-Ondoa e André Gonçalves a levarem a equipa para a frente, mas sem grandes efeitos práticos.
Já o Sporting esteve sempre mais perigoso na primeira parte. Aos 23’, Gabriel Silva executou, na perfeição, um passe de 30 metros que chegou redondo aos pés de Adam Arvelo. O espanhol recebeu em boa posição, fletiu para o centro do terreno, rematou e a bola só não chegou ao destino porque a cobertura de Diogo Grima foi eficaz, desviando o esférico para canto.
O jogo continuava pouco fluído e só a espaços havia futebol vistoso, culpa dos vários cortes e passes incompletos de ambas as formações.
Aos 39’, novamente Gabriel Silva, o dinamizador de serviço, apareceu com a bola em posse já dentro da grande área, picou-a para a direita onde descobriu o lateral Rodrigo Dias que, de pé esquerdo e à meia volta, rematou forte para uma grande defesa de Zeljko Vitorovic que negava assim o inaugurar do marcador.
Curiosamente, o lance de maior perigo da primeira parte surgiu mesmo para os canarinhos, quando Silva-Richards viu uma bola chegar-lhe aos pés, fruto de um mau alívio de Guilherme Pires, tentou, prontamente, o chapéu, sendo que apenas não sorriu porque o esférico embateu, caprichosamente, no poste direito. Na sequência, o francês Manga Foe-Ondoa, em boa posição, já na pequena área, não conseguiu direcionar o remate da melhor forma.
O apito de Maria Inês Andrada, árbitra do encontro, surgia pouco depois para intervalo num empate justo após os primeiros 45 minutos.
Do dia para a noite
À apatia da primeira parte, contrapôs-se a vivacidade do início da segunda com vários lances juntos das áreas. Logo aos 46’, André Gonçalves, em contra-ataque, fez várias fintas até chegar a posição de cruzamento, tentou-o, mas Guilherme Pires conseguiu a defesa e anulou o lance com dificuldade.
Três minutos depois, Arvelo, em transição ofensiva para o Sporting, encontrou Guilherme Santos e este, na passada, rematou forte, a meia altura, para defesa de Vitorovic para canto.
Cheirava a golo e este aconteceu para o lado dos forasteiros. André Gonçalves, que assinou uma bela exibição, desenhou uma jogada deliciosa, encontrou espaço para entregar a Martim Watts que, isolado perante o guardião, rematou com violência para o fundo das redes. Estava inaugurado o marcador aos 53 minutos.
Contudo, a resposta não se fez esperar... Adam Arvelo, muito mexido durante o jogo, encontrou Guilherme Santos na esquerda do ataque, este, em boa posição, rematou para uma enorme defesa de Vitorovic, mas, na recarga, Arvelo encostou para o empate.
Golo com golo se paga e, na jogada seguinte, Manga Foe-Ondoa assinou um momento de inspiração com um golaço de fora da área ao ângulo do poste esquerdo. Foi um golo de levantar qualquer estádio por parte do jovem que chegou esta temporada do Valenciennes, repondo a vantagem para os estorilistas.
Como seria de esperar e fruto das várias substituições, o ritmo da partida abrandou, o que veio a beneficiar a formação canarinha que pôde repousar e acalmar os ânimos.
Uma dessas susbstituições para o lado do Sporting foi Micael Sanhá que, aos 76’, ameaçou com um remate de fora da área, com a bola a sofrer um desvio na barreira defensiva, acertando nas malhas laterais.
Já aos 85 minutos, outra das substituições assinou mesmo o empate. O avançado lançado por Filipe Neto, Francisco Canário, encostou ao segundo poste, após desvio de Afonso Lee, na resposta a um canto batido por Momade pela direita do ataque sportinguista. Era a traição do Canário...
O Estoril Praia tentou responder e, aos 89’, o capitão Martim Filipe subiu à area contrária para desviar um livre lateral para fora, em muito boa posição para concretizar.
Até que aos 91’, o sérvio Vitorovic assinou a defesa da tarde a um remate fulminante de Diogo Cardoso, na recarga a um livre lateral de Momade, na última jogada digna de registo da tarde.
O jogo chegava assim ao fim com um empate justo entre duas formações que se encaixaram taticamente na primeira parte, mas que se soltaram na segunda e presentearam os espetadores do Estádio Aurélio Pereira com vários lances de qualidade sempre na busca dos três pontos.
O próximo encontro do Estoril Praia na Liga Revelação será no dia 21 de janeiro, no reduto do FC Vizela, pelas 11 horas.


